Mesa de voto...

Uma experiência que me traz sempre à realidade das pessoas que compõem a minha cidade ( não, ok não quero piadas, eu sei que fui de directa para uma mesa de voto e que adormeci 2x vezes durante o dia mas não é a isso que me refiro). Fiquei numa mesa de voto cuja média etária devia rondar os 50 e muitos anos.
Fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que me passaram pelas mãos cujo BI me dizia: Não sabe assinar e outras cuja a assinatura revelava que mais não sabiam do que escrever o próprio nome. Tenho sempre aquele preconceito de que o analfabetismo é uma coisa distante e uma espécie em vias de extinsão que habita geralmente o interior mais profundo, mas não habita mesmo ao meu lado.
Foi caloroso poder perceber o orgulho e satisfação com que aquela geração anterior à geração que fez o 25 de Abril vota. Nota-se o brilho nos olhos por este direito há alguns anos conquistado, nota-se que fazem questão em exercê-lo apesar da poluição partidária do dia a dia. Para a minha geração o voto é um dado adquirido a que muitas vezes nos deixamos sucumbir ao cansaço, à perguiça, ao desinteresse e à desinformação e não votamos.
O voto não deixa de ser um acto social, onde se revêm caras antigas de outros tempos mais passados.
1 Comments:
Pois é... a realidade está sempre para lá do que o nosso pensamento alcança! Há uns anos, num contexto profissional, tive de aplicar questionários, um pouco por todo o país, a rapazes e raparigas entre os 14 e os 17 anos. Lembro-me de em dois locais diferentes (Portalegre e Costa da Caparica) muitos desses jovens não saberem ler nem escrever e, em alguns casos, nunca se tinham deslocado para fora do sítio onde viviam. Por vezes lembro-me deles e questiono-me se, actualmente, a sua situação mudou...
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